sexta-feira, 4 de março de 2011

Génese do conceito de comunicação

É consensual entre os diversos autores existirem três grandes «etapas no
desenvolvimento da noção de comunicação» sendo que um primeiro momento ocorre
quando os teóricos – de diversas áreas do conhecimento – se concentram na cibernética,
«com o objectivo de construírem um campo interdisciplinar que unificasse sob a mesma
designação um conjunto de fenómenos já conhecidos» (Vaz Freixo, 2006), muito embora
apenas com o desiderato de manter uma intencionalidade e alcance unicamente científicos.
Nos finais da década de 40 do século XX, acontece uma segunda etapa no
desenvolvimento das teorias da comunicação, sob o impulso do matemático Norbert
Wiener, cujo objectivo principal era alargar o alcance do conceito de comunicação ao
domínio da análise da acção política e social. Em 1948, o matemático e engenheiro Claud
Shannon, edita, no contexto das publicações académicas dos Laboratórios Bell System,
uma monografia titulada The Mathematical Theory of Communication, onde propõe uma
séria de postulados que ficam mais tarde conhecidos como Teoria Matemática da
Comunicação, que, segundo Armand e Mechèle Mattelart, op. Cit., pp. 49-50, citados por
Vaz Freixo, «desempenhou um papel de charneira (…) na dinâmica de transferência e de
transposição de modelos de cientificidade próprios das ciências exactas». Deste modo,
tendo trabalhado em criptografia durante a guerra, Shannon passa a perspectivar o processo
de comunicação de uma maneira totalmente nova, formulando, a partir desta base, uma
série de hipóteses que mais tarde informarão o seu «sistema geral de comunicação»,
segundo o qual competia aos teóricos explicar a forma de «reproduzir num dado ponto uma
mensagem seleccionada num outro ponto». Portanto, este esquema postula a comunicação
como um processo assente numa cadeia de elementos constituintes, tais como a fonte,
responsável por produzir a mensagem, o emissor – meio através do qual a mensagem se
transforma numa sinalética passível de transmissão, o canal, utilizado para o transporte dos
sinais, o receptor, cuja missão é reconstituir a mensagem e, por fim, o destinatário –
objecto ou pessoa a quem a mensagem é transmitida. Claude Shannon pretendia analisar
este esquema linear de modo a quantificar o custo de determinada mensagem, mormente
em presença daquilo a que se convencionou chamar «ruído», ou seja, a ocorrência de
perturbações aleatórias durante a transmissão da mensagem entre os dois pólos da
comunicação.
Bibliografia: VAZ-FREIXO, M. João, Teorias e Modelos de Comunicação, Lisboa: Instituto Piaget, 2006.

Vídeo: The Human Brain & Cybernetics, inglês
http://www.youtube.com/watch?v=TYDdJNeUGHM

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