sexta-feira, 11 de março de 2011

Teorias da aquisição da linguagem

As teorias da aquisição da linguagem defrontam-se com o problema de explicar como uma criança de quatro anos consegue adquirir a quase totalidade dos sistemas fonológico, sintáctico e semântico da sua língua – embora grande parte daquilo que ouve não seja gramatical - enquanto um adulto leva anos para realizar tarefa idêntica e eventualmente só o consegue com numerosas imperfeiçoes ao nível gramatical, lexical e fonético.


In: Vaz Freixo, M.J. (2006). Teorias e Modelos de
Comunicação, In M.J. Vaz Freixo, Teorias
e Modelos de Comunicação
(pp. 11-23; 107-127). Lisboa: Instituto Piaget.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Em "comunicação" é comum falar-se de «teorias» e «modelos»

De facto,os conceitos de «teorias» e «modelos» assentam em paradigmas muitos diferentes. Numa acepção ampla, o termo modelo pode aplicar-se a qualquer representação simbólica de uma coisa, processo ou ideia. A nível conceptual, existem modelos que representam ideias e processos, assumindo a forma de modelos gráficos, verbais ou matemáticos.Os modelos têm uma função organizadora, ordenando e relacionado sistemas entre si e dando-nos imagens de conjunto que de outro modo poderíamos não notar.Fornecem, portanto, imagens gerais de séries de circunstâncias particulares, possuindo uma função heurística, uma vez que podem guiar o estudante ou o investigador a ponto-chave de um processo ou sistema.
Os modelos possível prever conclusões, podendo, pelo menos, fundamentar a atribuição de probabilidades a várias conclusões alternativas e assim contribuir para a formulação de hipóteses para a investigação. Hawes afirma que «uma teoria apresenta-se como uma explicação e um modelo como uma representação».
No livro, o termo «teoria» será usado significando uma qualquer representação ou explicação conceptual do processo de comunicação.

Bibliografia: VAZ-FREIXO, M. João, Teorias e Modelos de Comunicação, Lisboa: Instituto Piaget, 2006.

Vídeo: Animation "Ways to Communicate"
http://www.youtube.com/watch?v=i_DS6dwHv4k&feature=related

Na actualidade, "comunicação" confunde-se com "interacção social"

As sociedades contemporâneas são, em simultâneo, causa e motivo do afluxo
inexorável de informação que nos submerge diariamente. O âmbito da sua acção tornou-se
tão vasto que se torna imperativo compreender os mecanismos do próprio processo
comunicacional para receber, emitir e seleccionar informação com proficiência, seja qual
for o nosso campo de acção e mesmo no âmbito das relações interpessoais. Todavia, apesar
de tão presente no nosso dia-a-dia, o conceito de «comunicação» não se deixa reduzir a
definições fáceis. Palavra polissémica encerra múltiplas acepções e vários níveis de
profundidade, apenas acessíveis através da sua análise epistemológica. Perante este dilema,
no qual a familiaridade do conceito nos ilude com camadas de subtilezas sobrepostas e interdependentes, o livro Teorias e Modelos de Comunicação, do qual aconselhamos a leitura atenta, lança a discussão de uma forma didáctica, expondo claramente a génese do desenvolvimento da acepção moderna de comunicação, enquanto sintetiza criticamente as diversas teorias.
Bibliografia: VAZ-FREIXO, M. João, Teorias e Modelos de Comunicação, Lisboa: Instituto Piaget, 2006.
Vídeo: Historia de las Teorias de la Comunicacion
http://www.youtube.com/watch?v=GTYnVx4w6fo&feature=related
Vídeo: La historia de la Comunicación social
http://www.youtube.com/watch?v=VW2gS7Tr3IE&feature=related (muito giro)

As modernas teorias comunicacionais

Porém, embora revolucionária em muitos aspectos, a teoria proposta por Shannon
e Weaver minimiza a «interacção com o receptor, o papel das redes de comunicação e (…)
a semântica das mensagens», pelo que é alvo de amplas críticas. Por esta altura, os
investigadores da denominada Escola de Palo Alto retomam o modelo proposto por
Wiener, sugerindo que, como refere Vaz Freixo (pág. 56), «a Teoria Matemática da
Informação concebida por e para engenheiros das telecomunicações a estes seja deixada».
A terceira etapa no processo de desenvolvimento das teorias da comunicação acontece no
contexto a evolução social do pós-guerra. As teorias sobre a comunicação continuavam um
feudo associado às ciências exactas – se se exceptuar os trabalhos do antropólogo Gregory
Bateson, como destaca Vaz Freixo – talvez porque, como aventa o mesmo autor, o mundo
dos media «de então não tinha a distância suficiente para teorizar o que constituía uma
prática quotidiana em pleno desenvolvimento» nem os ideólogos encaravam a
comunicação, mesmo a cibernética, como um objecto de estudo pertinente. Parece
igualmente não ser alheia à situação a utilização dos processos de comunicação de massa
para fins propagandísticos, pois, de alguma forma, estes poderiam disfarçar as dúvidas
emergentes, pelo menos no que concerne ao domínio político.

Bibliografia: VAZ-FREIXO, M. João, Teorias e Modelos de Comunicação, Lisboa: Instituto Piaget, 2006.
Vídeo: Modelo Shannon y Weaver
http://www.youtube.com/watch?v=im1NspZBIZE&feature=related

Génese do conceito de comunicação

É consensual entre os diversos autores existirem três grandes «etapas no
desenvolvimento da noção de comunicação» sendo que um primeiro momento ocorre
quando os teóricos – de diversas áreas do conhecimento – se concentram na cibernética,
«com o objectivo de construírem um campo interdisciplinar que unificasse sob a mesma
designação um conjunto de fenómenos já conhecidos» (Vaz Freixo, 2006), muito embora
apenas com o desiderato de manter uma intencionalidade e alcance unicamente científicos.
Nos finais da década de 40 do século XX, acontece uma segunda etapa no
desenvolvimento das teorias da comunicação, sob o impulso do matemático Norbert
Wiener, cujo objectivo principal era alargar o alcance do conceito de comunicação ao
domínio da análise da acção política e social. Em 1948, o matemático e engenheiro Claud
Shannon, edita, no contexto das publicações académicas dos Laboratórios Bell System,
uma monografia titulada The Mathematical Theory of Communication, onde propõe uma
séria de postulados que ficam mais tarde conhecidos como Teoria Matemática da
Comunicação, que, segundo Armand e Mechèle Mattelart, op. Cit., pp. 49-50, citados por
Vaz Freixo, «desempenhou um papel de charneira (…) na dinâmica de transferência e de
transposição de modelos de cientificidade próprios das ciências exactas». Deste modo,
tendo trabalhado em criptografia durante a guerra, Shannon passa a perspectivar o processo
de comunicação de uma maneira totalmente nova, formulando, a partir desta base, uma
série de hipóteses que mais tarde informarão o seu «sistema geral de comunicação»,
segundo o qual competia aos teóricos explicar a forma de «reproduzir num dado ponto uma
mensagem seleccionada num outro ponto». Portanto, este esquema postula a comunicação
como um processo assente numa cadeia de elementos constituintes, tais como a fonte,
responsável por produzir a mensagem, o emissor – meio através do qual a mensagem se
transforma numa sinalética passível de transmissão, o canal, utilizado para o transporte dos
sinais, o receptor, cuja missão é reconstituir a mensagem e, por fim, o destinatário –
objecto ou pessoa a quem a mensagem é transmitida. Claude Shannon pretendia analisar
este esquema linear de modo a quantificar o custo de determinada mensagem, mormente
em presença daquilo a que se convencionou chamar «ruído», ou seja, a ocorrência de
perturbações aleatórias durante a transmissão da mensagem entre os dois pólos da
comunicação.
Bibliografia: VAZ-FREIXO, M. João, Teorias e Modelos de Comunicação, Lisboa: Instituto Piaget, 2006.

Vídeo: The Human Brain & Cybernetics, inglês
http://www.youtube.com/watch?v=TYDdJNeUGHM